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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Adolescentes são internadas após vacina contra HPV

S.Paulo - No dia 3 de setembro, 80 meninas foram vacinadas em uma escola pública  em Bertioga, durante a campanha nacional de imunização para prevenir o câncer de colo de útero. Na sexta-feira, 11 reclamaram de tontura, dor de cabeça e fraqueza. Elas foram atendidas e liberadas após se sentirem melhor. No entanto, no sábado, três apresentaram dificuldades para andar e fraqueza muscular. E foram encaminhadas para um hospital estadual de Santos. Um neurologista avaliou e descartou a hipótese  de paralisia. A hipótese provável é uma reação de ansiedade decorrente da injeção, medo da agulha e da dor que a injeção pode causar. 
Duas melhoraram, já voltaram a caminhar sozinhas. A terceira jovem ainda continua com as reações e passará por uma nova avaliação neurológica. O caso está sendo investigado —afirmou o secretário de Saúde de Bertioga, Manoel Prieto Alvarez.
Luisa Villa, coordenadora do Instituto do HPV, uma das principais especialistas sobre o assunto no país, afirmou que não há relatos que associem reações anafiláticas graves à vacina e que a reação 
é esporádico, sem comprovação de ser causada pelo componentes da vacina. Pode ser uma injeção intramuscular mal dada. Não podemos assustar os pais. A vacina é importante e eficaz — destacou a especialista.
Por se tratar de adolescentes, recomenda-se que as vacinas sejam aplicadas nas jovens sentadas, para evitar desmaios. Acreditamos que estas jovens vão melhorar progressivamente. A vacina usada no Brasil é importada dos Estados Unidos, a mesma usada pelos americanos há seis anos — declarou.
A vacina não é feita com o vírus, e sim com uma proteína que “imita” o vírus, ela não leva seu DNA. Mesmo assim, a vacina contra o HPV ainda é polêmica. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apenas 5% das infecções desenvolverão alguma manifestação aparente, como verrugas e o próprio câncer de colo de útero. O índice levanta a discussão de se vacinar ou não. O papilomavírus humano, mais conhecido como HPV, possui mais de cem tipos que podem infectar a pele e as mucosas de homens e mulheres. Sua principal forma de transmissão é pela via sexual, independente de haver penetração.
Algumas variações específicas do vírus provocam verrugas transitórias e outros tipos de lesões, sendo 90% dos casos provocados pelos tipos 6 e 11. Pelo menos outros 13 tipos podem produzir lesões com potencial de desenvolvimento de câncer, tendo os tipos 16 e 18 presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero.
Segundo o Inca, aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos tipos 16, 18 ou ambos. Comparando-se esse dado com a incidência anual de aproximadamente 500 mil casos de câncer de colo do útero, conclui-se que o câncer é um desfecho raro. A infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente, para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
A vacina adotada pelo Ministério da Saúde é chamada quadrivalente porque engloba a imunização exatamente dos tipos de vírus mais comuns em lesões leves, moderadas e graves provocadas pelo HPV: tipos 6, 11, 16 e 18. O objetivo da campanha é evitar que meninas que ainda não iniciaram suas vidas sexuais sejam expostas a essas variações do vírus. Por isso a estratégia se inicia em jovens de 11 a 13 anos de idade e em breve começará a imunizar também meninas de 9 a 11 anos.


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