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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

BRASIL: ROUBALHEIRA NA CRUZ VERMELHA

"Até tu brutos? "

Vítimas da fome na Somália também foram vítimas de desvio de doações brasileiras (Foto: Roberto Schmidt / AFP)
Vítimas da fome na Somália e desvio de 
doações  (Foto: Roberto Schmidt / AFP)
Com eficiência e credibilidade, a organização fundada em 1863 pelo suíço Jean Henri Dunant (ganhador da primeira edição do Prêmio Nobel da Paz, em 1901) e sediada em Genebra, na Suíça, estabeleceu na prática os direitos e deveres humanos depois consolidados na Convenção de Genebra, firmou sólida reputação tornando-se uma máquina eficiente de arrecadação de doações e recrutamento de voluntários – inclusive no Brasil, onde completa 100 anos de atividade justamente em 2012.
O Ministério Público começa a revirar um lamaçal que aponta para o desvio de um montante de dinheiro de doações à Cruz Vermelha. O valor, ainda não totalmente conhecido, conta-se na casa dos milhões.
Os recursos doados à entidade no Brasil não foram aplicados como pensam os incautos beneméritos.

No ano passado, a Cruz Vermelha Brasileira organizou três grandes campanhas nacionais de arrecadação – uma para as vítimas dos deslizamentos na região serrana fluminense, que deixaram 35 000 desabrigados; outra para a Somália, país africano faminto e devastado por guerras civis; e mais uma para a tragédia do terremoto seguido de tsunami no norte do Japão.
Os recursos arrecadados nessas campanhas, com toda a certeza, não foram aplicados em nenhum daqueles locais. Nem um único centavo chegou a quem precisava. Nos três casos, as doações foram encaminhadas para contas bancárias da entidade no Banco do Brasil em São Luís, no Maranhão.
Por que no Maranhão? Não se sabe, mas se suspeita: 1) porque o presidente nacional da Cruz Vermelha, Walmir Moreira Serra Júnior, mora lá; e 2) porque justamente sua irmã, Carmen Serra, é quem comanda a filial da Cruz Vermelha maranhense. Sob os argumentos mais diversos, os irmãos Serra passaram a manter as contas sob sigilo, e nem o alto escalão da entidade tem informações sobre o montante depositado ou sobre as movimentações.
Nem a região Serrana do Rio, nem a Somália, nem o Japão pós-tsunami (foto): quem viu o dinheiro das doações está no Maranhão (Foto Kyodo News / AP)
Nem a região Serrana do Rio, nem a Somália, nem
 o Japão pós-tsunami (Foto Kyodo News / AP)
Apesar de insistentes solicitações, a mais recente em uma reunião em Brasília em 11 de junho, a comissão fiscal da organização no Brasil, secundada por instâncias superiores, como a Federação Internacional da Cruz Vermelha, tentou em vão ver o extrato das contas. “As coisas não estão sendo feitas de forma transparente. Estamos exigindo uma informação, mas ela nunca vem”, diz o representante da Federação da Cruz Vermelha para a América do Sul, Gustavo Ramirez, que reuniu e enviou para o Japão o dinheiro arrecadado nos outros países – menos o do Brasil.

A investigação das contas misteriosas, que vinha ocorrendo em sindicâncias internas, extrapolou o âmbito da organização em fevereiro, quando Letícia Del Ciampo assumiu o comando do escritório da Cruz Vermelha em Petrópolis, uma das cidades do Rio de Janeiro devastadas pelas chuvas do ano passado.
Letícia constatou as irregularidades, reuniu documentos e entrou com duas ações no Ministério Público estadual – uma contra a Cruz Vermelha da cidade serrana, outra contra a nacional. Além de constatar que Petrópolis não recebeu um tostão do dinheiro que foi parar nas contas secretas do Maranhão, ela descobriu desvios em outras áreas.
IRREGULARIDADES O presidente da entidade, Moreira Serra, e sua irmã, Carmem, não dão nenhuma explicação
IRREGULARIDADES -- O presidente da entidade, Moreira Serra, e sua irmã, Carmem,  nenhuma explicação
Ambulâncias novas que deveriam estar servindo a região nunca apareceram, e as antigas estão sem manutenção há muito tempo, o que praticamente inutilizou a frota. Há sinais de problemas também em um convênio feito com o governo do Distrito Federal com o objetivo de passar à Cruz Vermelha a gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Brasília.
Em 2010, a Cruz Vermelha-Petrópolis recebeu 3,7 milhões de reais adiantados, mas ela nunca prestou serviço algum e está sendo cobrada na Justiça pela devolução do dinheiro.
Cerca de 1,5 milhão de reais pagos à Cruz Vermelha pela prefeitura foram parar nas gulosas contas secretas do Maranhão.

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/sera-que-o-brasil-tem-jeito-ate-na-cruz-vermelha-descobriu-se-roubalheira-vejam-so/

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