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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

México: A volta do terror do narcotráfico

PROTESTOS
Mexicanos carregam cartazes com os rostos dos 
43 jovens mortos em Ayotzinapa.(Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, de 48 anos, fez campanha eleitoral em 2012 com a promessa de construir um novo país e pôr fim à violência que atormentava os mexicanos. O sorriso Kolynos, o topete impecável e a cara de galã conferiam a Peña Nieto uma pátina nova na política mexicana. Garantiram sua eleição. Ao assumir, ele fez uma escolha: embrenhou-se em reformas econômicas e deixou em segundo plano o combate ao narcotráfico, causa da derrota de seu antecessor, Felipe Calderón.
Formidável operador político, Peña Nieto conseguiu fazer 11 reformas em dois anos de mandato, criou uma imagem positiva do México para investidores e inundou o país com slogans como “um país novo” e “compromisso com o México”. Há duas semanas, a imagem de salvador do México construída por Peña Nieto foi soterrada por uma avalanche de protestos que tomaram conta do país. Manifestantes depredaram a sede do governo, o Palácio Nacional, na Cidade do México, incendiaram seu portão e fizeram pichações em sua fachada. Ao longo da semana, protestos diários reuniram milhares de pessoas na capital do país e em importantes cidades, como Jalisco e Guadalajara.


A indignação popular emergiu depois do trágico assassinato de 43 alunos de magistério de uma escola rural, ligada a movimentos sociais em Ayotzinapa, no Estado de Guerrero, sudoeste do México. Os jovens sumiram em 26 de setembro, quando seguiam para um protesto contra José Luis Abarca, prefeito de Iguala, principal centro urbano da região. Segundo a Procuradoria-Geral do México, quando Abarca soube da manifestação, ordenou à polícia que interceptasse os veículos. O intuito era evitar que o protesto interrompesse um discurso de sua mulher, María de los Ángeles Pineda. Alguns estudantes conseguiram fugir. Quarenta e três deles foram dados como desaparecidos. As investigações federais mostraram que os jovens foram entregues pelos policiais, sob ordens de Abarca, aos Guerreros Unidos, um cartel de drogas que controla o tráfico na região. Levados a um lixão, os jovens foram assassinados, e seus corpos foram incinerados.

CARA DE GALÃ Peña Nieto, em novembro. Sua fotogenia não serve para lidar com a crise (Foto: Marco Ugarte/AP Photo)
CARA DE GALÃ
Peña Nieto, em novembro.  (Foto: Marco Ugarte/AP Photo)
Abarca e sua mulher, Pineda, eram conhecidos como “o casal imperial” de Iguala. Segundo a Procuradoria, os dois têm estreitas relações com os Guerreros Unidos. Pineda é irmã de três chefes do cartel. Abarca, um empresário do ramo de extração de ouro, se aproximou dos líderes do grupo ao se candidatar à prefeitura, em 2010. Traficantes do cartel presos durante a investigação confirmaram o assassinato dos jovens e o envolvimento de Abarca. Com as investigações cada vez mais próximas de seu nome, Abarca se afastou da prefeitura e fugiu de Iguala. No último dia 04/11, ele e sua mulher foram presos.
O sumiço dos jovens reacendeu, entre os mexicanos, o temor de que o país recaia no mesmo tipo de violência que assolou o país de 2006 a 2012. Na ocasião, o então presidente, Calderón, declarou guerra aos cartéis de droga. O resultado foi uma sucessão de sequestros e chacinas em várias cidades, muitas com requintes de crueldade. Cadáveres eviscerados e mutilados eram expostos à população. Depois de 60 mil assassinatos e 22 mil desaparecimentos, Calderón não elegeu seu sucessor. Assim que tomou posse, Peña Nieto mudou as prioridades na área de segurança. Em vez de caçar e prender os grandes chefes do narcotráfico, como fazia Calderón, montou uma força militar para combater a criminalidade cotidiana, especialmente nas áreas rurais.

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